Estou diante dele, ouvindo suas lamentações. Não fala de doença, mas da esposa que o abandonou.
É minucioso em detalhes, poupa-me dos íntimos, faço questão de não ouvir. Mas conversa como justificando sua dor, evoca toda a linhagem dela, todos os parentes, que se mostram indignados com a perda.
Não tem doença, mas uma construção de vida infeliz. Interrompo a consulta entregando o cartão de um colega, psicanalista. Pergunta-me o motivo, "engenheiro de almas, talvez conserte a sua."
Acho que perdi um paciente!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
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