"Nega morreu, para que vou ficar por aqui?" E Chico de repente deixou-se adoecer das doenças que já cultivava com o desleixo quase carinhoso, um tanto irresponsável.
Chico se foi, de coração inchado, peito doído, saudade correndo no sangue, penetrando na alma para alçar vôo rumo à sua querida Nega!
Vai nessa Chico Hélio!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Programadas para morrer
Parece loucura, mas me dei conta nesse exato instante que as duas jovens que atendi há pouco menos de meia hora estão se programando para auto-aniquilamento.
Uma delas está em uso de medicações de ação em sistema nervoso central e apresenta efeitos colaterais, mas ninguém de sua família sabe as medicações que usa, nem mesmo seu esposo, que nem imagina que, além dessas medicações, usa anticoncepcional, contrariando as expectativas dele.
A outra entrou em processo depressivo com manifestações de supressão imunológica_ linfoma envolvendo a tireóide, já operado, e agora acometendo linfonodos (gânglios) cervicais. Além disso, fibromialgia e processos infecciosos da pele.
Agora me pergunto, qual será o final disso tudo, porque ambas tem apatia ante a vida.
Uma delas está em uso de medicações de ação em sistema nervoso central e apresenta efeitos colaterais, mas ninguém de sua família sabe as medicações que usa, nem mesmo seu esposo, que nem imagina que, além dessas medicações, usa anticoncepcional, contrariando as expectativas dele.
A outra entrou em processo depressivo com manifestações de supressão imunológica_ linfoma envolvendo a tireóide, já operado, e agora acometendo linfonodos (gânglios) cervicais. Além disso, fibromialgia e processos infecciosos da pele.
Agora me pergunto, qual será o final disso tudo, porque ambas tem apatia ante a vida.
sábado, 17 de outubro de 2009
Entre a Conduta Acadêmica e os Desvios da Prática

V. tem 40 anos,consulta-se comigo há mais de 10 anos. Problema simples, Hipotireoidismo. Eis então que por um motivo qualquer visita uma clínica geral que solicita uma Ultrassonografia e valoriza um nódulo de 0,7cm. O cirurgião de cabeça e pescoço foi eleito para avaliar e não deu outra, a biópsia foi sugestiva de Câncer.
A opção cirúrgica foi pela retirada total da tireóide, tireoidectomia total, há exatos 10 dias. No mesmo dia da cirurgia, seu esposo foi demitido, seu plano de saúde expirará em menos de 15 dias.
O pós-operatório após a alta ficou para minha resolução e aí o motivo dessa postagem. Vamos lá!
O Carcinoma Diferenciado da Tireóide, ou Câncer da Tireóide, é patologia crescente em incidência, ou seja, o número de novos portadores tem aumentado, e por vários fatores. O meio para o diagnóstico se inicia com a punção da tireóide guiada por Ultrassonografia, que traz resultado sugestivo ou não da doença, que se confirma com a análise da peça cirúrgica.
Com a facilidade de ultrassonografia e também da punção, muito se acumulou em conhecimento sobre o câncer da tireóide, a começar da relação entre gravidade do câncer e tamanho do nódulo.
Análises de cadáveres que morreram por patologias outras do câncer da tireóide, mostram que o diagnóstico da doença em nódulos menores que 1cm é omitido em parcela considerável da população, o que mostra o aspecto pouco agressivo desse tipo de câncer, ou o que se convencionou chamar de microcarcinoma.
Omitir a punção em nódulos menores que 1cm é conduta aceita. Quando se realiza a punção em nódulos menores que 1cm e o diagnóstico é de Carcinoma, a conduta é a retirada do lobo da tireoide onde o câncer se localiza. Isso garante cura em 100% dos casos.
V. me trouxe uma sensação de ter sido traído, não por ela, mas pela sua tireóide. Isso porque tenho a conduta de não puncionar de rotina nódulos menores que 1cm, exceto se tiverem elementos de suspeição. E também me trouxe a sensação de estar sendo ironizado pelo colega, que operou e agora mandou um "presente", tipo, cuida do que deixou de ver antes.
Mas a consulta prosseguiu e soube que não foi enviada por ninguém senão por sua própria vontade.
Não consigo repor a metade exageradamente retirada da tireóide dela, a não ser aumentando a dose da medicação e oferecendo cuidados médicos de qualidade humana e científica. Isso é o que o endocrinologista sabe fazer.
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