terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Medicina está morrendo!

Era um dia chuvoso e por isso os cuidados de Romeu foram redobrados ao sair de casa com sua motocicleta. Pelo seus cálculos, saindo de casa com antecipação de duas horas, poderia chegar ao seu trabalho com tempo suficiente para trocar as roupas molhadas, tomar um café quente e, enfim, iniciar sua jornada como médico do Hospital de Urgências. Mas Romeu não chegou ao hospital para trabalhar, chegou como paciente, vítima de acidente, em politraumatismo sério.
Romeu não perdeu a consciência, o capacete o protegeu. Pode perceber que o socorro do SAMU não tardou mais que 5 minutos, por mais que quisesse dizer que estava bem, somente conseguiu responder a três perguntas básicas do paramédico, antes que um colete cervical se antecipasse à tábua de madeira fenestrada que servia de anteparo rígido ao colchão macio da maca que o levara até a ambulância. Antes de chegar ao pronto-socorro, todo o seu corpo havia sido inspecionado e ao menos uma fratura já imobilizada _ a do ante-braço esquerdo, mas clinicamente tinha a suspeita de fratura do fêmur direito, bem como fortes indícios de ruptura do baço.
A chegada ao hospital não foi diferente, salvo a surpresa dos colegas que o receberam, que logo se esvaiu ante a necessidade de atendimento às necessidades do corpo que clamava cirurgia de urgência.
Romeu em momento algum sentiu-se tranquilo. Estava angustiado, tinha vontade de chorar de susto e de raiva, se preocupava com sua esposa e com seus pais, não tinha confiança na resposta deles ao telefonema da Assistente Social, mesmo sabendo que ela falaria a verdade, que ele estava bem.
O traumatologista que conduzi o caso aproximou-se dele para dizer que estava tudo tranquilo, Galvão, excelente cirurgião, logo chegaria para fazer a esplenectomia, enquanto ele aproveitaria o tempo cirúrgico para fixar a fratura do antebraço, já que o fêmur estava intacto.
Romeu mais uma vez tentou falar do que passava dentro de si, não conseguiu pela segunda vez e nem pela terceira e quarta vezes, quando Galvão chegou com seu companheiro de futebol e anestesiologista, Carlos. Somente ouviu a pouco estimulante frase, "Vida de paciente não é fácil, não é Romeu?"
E Romeu pode ver o que acontecia com seus pacientes em todos os plantões, mais ainda, em todos os momentos, com todos os pacientes de todos os médicos. Antes que o anestésico o fizesse ter o último suspiro consciente antes do ato cirúrgico, Romeu teve a convicção que o modelo de atendimento precisaria mudar, ouviu uma voz forte em desespero e agonia, era a voz da Medicina, por sua filhas Panacéia e Hígia, a Medicina que estava a morrer, o homem a estava matando.

O Cirurgião de Lisboa

Em Lisboa, para as IV Jornadas de Medicina e Espiritualidade, tive oportunidade de conhecer vários médicos da nossa terra-mãe, entre eles João, um afamado cirurgião de Lisboa.
Após minha conferência, me cumprimentou efusivamente e em meio cochicho, meio voz alta me disse, "Não sabes como é o sistema de saúde daqui, ó pá!"
Ao descrever o exemplo da mulher que teve colecistite calculosa diagnosticada por um médico, o pré-operatório solicitado por outro e a cirurgia realizada por um terceiro, achou meu amigo cirurgião que seria tomado por espanto.
"Em quanto tempo ela foi operada, João?"
"Em pouco menos de um mês, ó pá!"
"Ah João, não tem lugar para mim em Lisboa? Aprenderei cirurgia e serei o cirurgião de Lisboa, porque no Brasil ela demoraria no mínimo 3 meses para ter esperança de um dia ser operada pelo SUS!"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Chico Resolveu Morrer

"Nega morreu, para que vou ficar por aqui?" E Chico de repente deixou-se adoecer das doenças que já cultivava com o desleixo quase carinhoso, um tanto irresponsável.
Chico se foi, de coração inchado, peito doído, saudade correndo no sangue, penetrando na alma para alçar vôo rumo à sua querida Nega!
Vai nessa Chico Hélio!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Programadas para morrer

Parece loucura, mas me dei conta nesse exato instante que as duas jovens que atendi há pouco menos de meia hora estão se programando para auto-aniquilamento.
Uma delas está em uso de medicações de ação em sistema nervoso central e apresenta efeitos colaterais, mas ninguém de sua família sabe as medicações que usa, nem mesmo seu esposo, que nem imagina que, além dessas medicações, usa anticoncepcional, contrariando as expectativas dele.
A outra entrou em processo depressivo com manifestações de supressão imunológica_ linfoma envolvendo a tireóide, já operado, e agora acometendo linfonodos (gânglios) cervicais. Além disso, fibromialgia e processos infecciosos da pele.
Agora me pergunto, qual será o final disso tudo, porque ambas tem apatia ante a vida.

sábado, 17 de outubro de 2009

Entre a Conduta Acadêmica e os Desvios da Prática



V. tem 40 anos,consulta-se comigo há mais de 10 anos. Problema simples, Hipotireoidismo. Eis então que por um motivo qualquer visita uma clínica geral que solicita uma Ultrassonografia e valoriza um nódulo de 0,7cm. O cirurgião de cabeça e pescoço foi eleito para avaliar e não deu outra, a biópsia foi sugestiva de Câncer.
A opção cirúrgica foi pela retirada total da tireóide, tireoidectomia total, há exatos 10 dias. No mesmo dia da cirurgia, seu esposo foi demitido, seu plano de saúde expirará em menos de 15 dias.
O pós-operatório após a alta ficou para minha resolução e aí o motivo dessa postagem. Vamos lá!
O Carcinoma Diferenciado da Tireóide, ou Câncer da Tireóide, é patologia crescente em incidência, ou seja, o número de novos portadores tem aumentado, e por vários fatores. O meio para o diagnóstico se inicia com a punção da tireóide guiada por Ultrassonografia, que traz resultado sugestivo ou não da doença, que se confirma com a análise da peça cirúrgica.
Com a facilidade de ultrassonografia e também da punção, muito se acumulou em conhecimento sobre o câncer da tireóide, a começar da relação entre gravidade do câncer e tamanho do nódulo.
Análises de cadáveres que morreram por patologias outras do câncer da tireóide, mostram que o diagnóstico da doença em nódulos menores que 1cm é omitido em parcela considerável da população, o que mostra o aspecto pouco agressivo desse tipo de câncer, ou o que se convencionou chamar de microcarcinoma.
Omitir a punção em nódulos menores que 1cm é conduta aceita. Quando se realiza a punção em nódulos menores que 1cm e o diagnóstico é de Carcinoma, a conduta é a retirada do lobo da tireoide onde o câncer se localiza. Isso garante cura em 100% dos casos.
V. me trouxe uma sensação de ter sido traído, não por ela, mas pela sua tireóide. Isso porque tenho a conduta de não puncionar de rotina nódulos menores que 1cm, exceto se tiverem elementos de suspeição. E também me trouxe a sensação de estar sendo ironizado pelo colega, que operou e agora mandou um "presente", tipo, cuida do que deixou de ver antes.
Mas a consulta prosseguiu e soube que não foi enviada por ninguém senão por sua própria vontade.
Não consigo repor a metade exageradamente retirada da tireóide dela, a não ser aumentando a dose da medicação e oferecendo cuidados médicos de qualidade humana e científica. Isso é o que o endocrinologista sabe fazer.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Engenheiro de Alma

Estou diante dele, ouvindo suas lamentações. Não fala de doença, mas da esposa que o abandonou.
É minucioso em detalhes, poupa-me dos íntimos, faço questão de não ouvir. Mas conversa como justificando sua dor, evoca toda a linhagem dela, todos os parentes, que se mostram indignados com a perda.
Não tem doença, mas uma construção de vida infeliz. Interrompo a consulta entregando o cartão de um colega, psicanalista. Pergunta-me o motivo, "engenheiro de almas, talvez conserte a sua."
Acho que perdi um paciente!

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Passaporte Vermelho

Uma viagem para atender ao estudo de um protocolo de pesquisas e me vejo na fila da imigração americana, para entrada nos Estados Unidos via Miami. Os mais de 40 guichês acumulam enorme quantidade de gente e a paciência além do cansaço do vôo é necessária.
Na fila paralela à minha identifico antigo colega de meus tempos de residência, o elegante Dr. Franco, mantendo a mesma postura elegante de sempre, portando um passaporte de capa vermelha, certamente europeu. Aceno para ele e a resposta ao aceno vem da mão que segurava o documento de viagem e prontamente identifiquei ser um passaporte italiano. Nesse momento o tom de voz do Dr. Franco aumentou, explicando didaticamente a algumas colegas a vantagem de um passaporte europeu em relação ao nosso tupiniquim.
A demora das filas parecia aumentar o arsenal de críticas ao documento brasileiro. O interessante é que assumia uma postura cada vez mais empinada, quase arrogante, e fazia movimentos lentos, calculados, destacando em cada um deles o documento de capa vermelha, como se mostrasse a todos os brasileiros das filas próximas o seu ponto de vantagem, sua naturalidade européia, ainda que tenha nascido em solo brasileiro, filho de pais brasileiros.
O alinhamento que o colega se posicionou foi mais pródigo e se dirigiu ao balcão antes de mim. Dr. Franco demorou tempo maior que o habitual e repentinamente ele sai do guichê acompanhado de um oficial da imigração americana para a famosa sala de averiguações.
Dos brasileiros nas filas, o meu colega europeu foi o único que ficou retido, tendo de explicar porque tentou entrar nos Estados Unidos sem o necessário preenchimento de formulário eletrônico na véspera de sua partida. O passaporte vermelho tinha a cor do rosto do Dr. Franco quando o encontrei mais tarde no lobby do hotel, visivelmente cansado, tentando se justificar da enorme gafe enquanto eu já recuperado da viagem, tomava um café aguado, que me dava a certeza de ter realmente chegado à América.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Tumor e Os Dentes


Ela chegou com as mãos pesadas de exames de sangue e de imagem. tinha um diagnóstico e queria uma opinião. Fora encaminhada para a minha opinião, na verdade para a opinião do especialista, casualmente eu e os residentes da especialidade. HGG, salas da Endocrinologia.
Contou sua história para a atenção dos ouvidos de uma residente, enquanto outra analisava os exames. Eu não conseguia ouvir nada, abstraído que estava por algo que me chamara a atenção _ os dentes de Ana, esse o provável nome, eram enormes e fugiam de sua boca, de forma que os lábios superiores não os cobriam além do terço inicial, deixando-os cobertos por uma crosta de saliva ressecada. Eram amarelados, enormes, estranhos.
A consulta demorada envolveu também os colegas da Neurocirurgia e ao final pediram minha opinião. A paciente, um tanto apreensiva, percebera que eu não tirara dela a atenção.
_Qual sua conduta, doutor?
_Os dentes, respondi. Como são grandes!
_Como? A pergunta foi em coro, que envolveu também a paciente.
_ Resolver o tumor é fácil, remédio e cirurgia terão efeito, difícil vai ser encontrar um dentista que consiga corrigir esses dentes tão grandes e lábios que não se fecham!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O Homem que Virou Livro

Ele entrou um tanto ansioso, como se pela primeira vez avistasse um médico na condição de paciente. Inquieto, não sabia como conduzir suas mãos que insistiam em não ter lugar. A língua tocava com seu corpo o céu da boca, ficando quase grudada no palato duro de quase seca que estava. A respiração curta e um pouco acelerava combinava com os olhos brilhantes que tudo investigavam e em nada fixavam. Enfim pôde me cumprimentar e se sentou.
"Eu tenho todas as doenças", começou ele. "Posso escolher quais delas podem interessar a essa consulta,"disse ele tirando de uma mochila um livro de Medicina _ Harrison"s Textbook of Internal Medicine, versão americana. "Tenho todas!"
Ora bolas, retruquei eu dizendo que as tinha e ainda mais algumas, apontando para meu duplo volume do Scriber, um livro texto de Erros Inatos do Metabolismo. Ele se fez sério, olhou profundamente para mim e disse: "Não estou brincando, eu estou doente."
Já que enfim ele tinha todas as doenças, pedi a ele que começássemos por ordem alfabética, com a letra A e logo alertei que por ser especialista em Endocrinologia, não atenderia Alergia ou Asma, ou ainda Aspergilose ou Anemia, mas Addison sim, trataria, bem como os Adenomas de hipófise, secretores e não secretores.
De súbito, ele se levantou, me disse que o sofrimento dele não seria compreendido por mim, que afinal eu achava ser ele um hipocondríaco, quando na verdade era um doente. "E doente de doenças sérias", complementou. Antes que saísse, perguntei do livro, onde conseguira o Harrison, a última edição. "Sou médico, colega", e novamente sentado, tentando se acomodar, completou, "também especialista, mas em transtornos mentais".
E me contou que há alguns anos lia diariamente todos os livros texto de Medicina, estudando cada doença, cada sintoma, cada sinal, estudando com tamanha intensidade que se tornara o próprio livro. Foi a dica! Dei o cartão do Pereira, disse que ligasse para ele, afinal apenas um livreiro poderia oferecer a ele alguma solução.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Adeus, poeta!

Não soube me dizer o motivo da consulta, naquele dia o poeta entrou em meu consultório e despejou suas afliçöes e amarguras. Casado de pouco, descobrira que o amor eterno sofre amarguras e revezes, eram momentos de revezes aqueles. Sua conversa elíptica era coberta de interrupções, perdera a continuidade que caracterizava a verborragia fantástica, destruidora, iconoclasta, sua marca de identidade, mas que sempre se encerrava com juras de devoção eterna. Naquela tarde era uma flor que murchara.
Atraiu para si todos os revezes do pensamento confuso. Se dizia catlisador do inconsciente e agora vivia os tormentos do Inconsciente materializado na forma do arquétipo feminino, sedutor, mulher, mãe e filha.
O poeta se foi. Infarto fulminante. Não teve como me levar os exames, tenho certeza que nem os pedi. Sua visita, a última visita, foi sua despedida. Ficou de me deixar a caneta que nunca teve e a pena que jamais usou e ainda espero que de onde esteja o poeta, que seja cumprida a sua promessa.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Mamo, o psicopata


Ele tinha trejeitos, com certeza os tinha e Mamo podia imaginá-los todos só de ouvir pelo rádio jeito que falava cada palavra, acentuando em excesso as paroxítonas, abrindo demais as sílabas tônicas com a vogal o. A certeza crescia com a raiva que passou a nutrir. Em poucos minutos já sabia quem era, sua ocupação, a empresa onde trabalhava. Engenheiro, responsável pelo acompanhamento de novas tecnologias. A entrevista continuava, mas a cabeça de Mamo já estava longe.
O domingo trouxe o sol em sua manhã de verão. Já se passava das nove. Nos trópicos o calor não espera o meio do dia para se manifestar, no meio da manhã algumas pessoas já tiram a camisa buscando alívio. Naquela manhã, Mamo estava sem camisa até ligar o rádio. A raiva cortou seu suor, vestiu a camisa e agora já não era tomado por outro pensamento senão o de higienizar o mundo. Era essa sua missão, era esse o seu destino.
Mamo me descreveu sua história e contou sobre seu crime não com a frieza do psicopata, mas com o fervor do crente que é chamado para uma missão.
Não conheci sua vítima, mas foi apenas mais uma entre pelo menos treze. Foi o que o policial me disse. E eu estava diante de um homem frio, assassino cruel, que tinha predileção por homossexuais. Ao contrário de outros criminosos, não mantinha relação com suas vítimas, nem as atraía para algum lugar para executa-las, mas dizia cumprir a ordem dos anjos. Ia até a casa, executava geralmente com arma de fogo e saía tranquilo,como se nada tivesse acontecido.
Mamo estava na minha frente, eu nada tinha a temer, mas seus olhos brilharam a ponto de quase iluminar o pronto socorro onde eu, quartanista de Medicina, estagiava. Acabara de entrar Renato, um técnico de enfermagem falante, que acentuava em excesso as paroxítonas e abria demais as sílabas tônicas com a vogal o.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Estudo sugere que os homens talvez controlem melhor o apetite do que as mulheres

Faca, mulher e sangue


Ela vinha pela primeira vez a um endocrinologista e a consulta havia gerado expectativas. Era também novidade o cartão da UNIMED. Um misto de encanto, ansiedade e constrangimento fez da primeira consulta um prato cheio de análise e o tempo não me deteve a necessidade de conhecer mais a fundo a paciente.
Pensamentos recorrentes e obsessivos com faca, medo de manipular o instrumento cortante de cozinha perto de seus filhos e de seu esposo, medo de não se controlar com uma faca na mão. Esse tipo de pensamento, quando recorrente e constrangedor, indica a possibilidade de um transtorno obsessivo-compulsivo, o chamado TOC. Iniciamos o tratamento com dieta e Fluoxetina,
Após oito semanas de tratamento, mais três visitas e oito quilos menos, ela demonstrou preocupação maior _ agora não apenas pensamentos, mas sonhos recorrentes a incomodavam. E contou a história de sua infância, do pai que torturava os filhos cada madrugada, quando chegava bêbado em casa, com uma faca afiada no pescoço de cada um. Foram anos sofrendo diariamente essa hediondez.
Passara a sonhar com o pai, os pensamentos obsessivos mais que recorrentes, fez com que esconde-se as facas mais cortantes. Dois dias antes da visita, fora à casa do irmão, que à época do pai era bebê quase de colo e era por ela protegido quando das loucuras diárias do pai, mas não a ponto de um dia sofrer um risco da lâmina assassina no pescoço. Aquilo lhe fez mal. Encontrou a casa do irmão quase vazia, a esposa o abandonara com os filhos e no quarto do casal separado desenhos de facas e caveiras em todas as paredes.
Encaminhei Lúcia finalmente ao psiquiatra. Foram oito semanas tentando convencê-la. O colega que a atendeu substituiu a medicação por fluvoxetina, houve boa resposta.
Ontem, coisas do acaso, encontrei a antiga paciente em um supermercado escolhendo uma faca de cozinha Tramontina. Ao me ver, mais que sem-graça devolveu o produto à prateleira e me deixou na dúvida inquietante _ será que ela está curada? Leio a coluna policial da minha cidade. Até o momento, nenhum relato de crime envolvendo faca, mulher e sangue.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Teste de Tireóide pode dar pistas sobre riscos à saúde

Duas palavras e um rosário de queixas


Tinha 15 anos e viera ao consultório acompanhado da avó paterna, uma senhora nos seus sessenta, de vigor e aparentando saúde radiante, o que contribuía para a construção de uma imagem inicial de mulher decidida e avó um tanto brava.
Logo de cara o paciente foi ordenado para esperar na sala enquanto a avó trocasse duas palavras com o médico. 
E as duas palavras daquela senhora que tomariam toda a consulta eram a narrativa da vida de um neto, criado dela apartado e distante, por abandono do pai, que se aventurou no mundo em desfavor de sua família. Criado pela mãe e pelas tias, sem interesse também da avó agora responsável, repentinamente se viu sem mãe e sem tias, um acidente dizimou as vidas das que o criaram e o sustentavam. Alguém se lembrou de avisar ao pai que o filho estava sozinho em uma casa alugada, sem família. A avó paterna assumiu o lugar do filho, trouxe para junto dela havia dois meses e se preocupava com os hormônios do rapaz.
Quando alguém no consultório se preocupa com os hormônios de adolescentes já mato a charada _ homossexualismo, que na cabeça das pessoas é doença hormonal. Até que explique que em nada se relaciona com hormônios e nem mesmo é doença, uma hora se vai fácil.
A avó começou a ladainha de queixas contra a mãe morta de seu neto e contra o filho de paternidade irresponsável e pouco após esse momento foi interrompida pelo paciente que entrou na sala antes que chamado fosse, em extrema lucidez e tranquilidade, e disse à avó, "minha senhora, minha mãe não criou um maricas, não me ensinou trejeitos, antes disso, desde sempre me estimulou a estudar, a respeitar o próximo, a não julgar. Sua preocupação com minha sexualidade é desnecessária". E falando isso, gentilmente ajudou a avó a se levantar, agradeceu a consulta, me disse ter feito exames de rotina recentemente. Beijou o rosto da avó com extremo carinho e saiu.
Antes que o próximo paciente entrasse, ainda sem qualquer conclusão, pois o rapaz foi de uma firmeza sem igual, a secretária entrou em minha sala indignada porque o paciente, que estudava no mesmo colégio de seu filho, havia dito que o achava lindo!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O que Marluce temia


Marluce tem mais de 40 anos e se preocupa com apenas uma coisa em sua vida, não envelhecer. Por conta dessa obsessão, investe todo o seu tempo livre em ler sobre anti-aging, e garanto que é muitas vezes mais tempo livre que se possa imaginar para uma médica. 
Por algum motivo a adepta dessa novíssima tentativa de especialidade médica me encontrou. Saiu de sua cidade, a metrópole do Brasil Central, sim, ela mora em Brasília, e foi ter comigo inicialmente em meu consultório, depois prolongamos o papo na mesa sempre recheada de quitandas da casa de minha mãe. Seu interesse _ os pontos de interação entre Medicina e Espiritualidade e a sua Medicina Anti-Aging.
Fez várias ilações, trouxe conhecimentos na área me Medicina e Espiritualidade que me surpreenderam, como novas pesquisas recentemente publicadas. Comeu pouquíssimo, uma desfeita às quitandas tão bem preparadas, mas conforme o seu pensamento, deve comer menos para viver mais.
Ao final do estoque de entusiasmo, quando a sede de saber a minha opinião se fez intensa, perguntei a ela o que a afligia, o porquê do medo da morte, do medo de envelhecer, já que é uma realidade e que o corpo envelhece, antes disso pode adoecer, o fado, o destino que criamos, pode nos atropelar e tirar-nos a qualquer momento do mundo. Ilustrei minha pergunta com pequeno comentário sobre a realidade do Espírito, realidade que a Ciência não se aparelha o suficiente para comprovar, mas também não consegue desmentir, sobre a vida saudável do Espírito mesmo em corpos doentes, como a mulher reumática descrita por Koening no JAMA (Journal of American Medical Association) em editorial de Agosto 2002.
Não descobri as razões de Marluce. Ela se levantou antes que pudesse me responder, preocupadíssima com horário de retorno a Brasília, desculpa apenas fraca quando o que mais chamava a atenção naquele instante era que entrava em casa um morador do leprosário, mãos com dedos em garra e outros amputados pela doença. Era o retrato da morte, e tudo o que Marluce temia era morrer.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Apnéia do Sono parece diminuir a capacidade do Cérebro de se proteger

sábado, 17 de janeiro de 2009

Atendendo um perfeccionista


Exames alterados e necessidade de consulta, o paciente era perfeccionista e, como todo perfeccionista, inseguro. A recomendação era mudança do padrão alimentar, aumentar fibras, reduzir açúcar e gorduras, priorizar carbohidratos complexos. Também exercício físico supervisionado, monitorado com frequencímetro, para que a intensidade do exercício mantivesse a frequência cardíaca dentro de limites seguros. Aí chegou a questão, "devo comer pão integral torrado"? "Se preferir levar o pão à torradeira, sim".
Passados 45 minutos e ele estava de volta ao consultório, insistindo para falar comigo. A secretária o fez entrar de imediato o paciente jogou sobre minha mesa algumas caixas, com vários modelos de torradeira. "Qual eu compro"? Me tomou pelo menos 20 minutos convencê-lo que a escolha do modelo não era meu papel, que deveria ser conveniente a ele (até agora não sei como ele conseguiu sair da loja com tantas torradeiras na mão).
Outros quase 45 minutos e ele de volta! Por mais que a secretária tivesse insistido que eu estava por demais ocupado, ele insistiu tanto que conseguiu mais uma vez entrar no consultório. Me saudou mais uma vez, tirou da caixa a torradeira e procurou uma tomada para liga-la e me perguntou "Agora, como é que eu uso"? Foi o suficiente para eu dizer que ele havia entendido errado, que deveria comer pão integral sim, mas não torrado e, me lembrando da recomendação do frequencímetro, logo dei o cartão de um amigo, educador físico e disse, "orientação sobre o frequencímetro, ele te dará melhor que eu".
Ontem estive em sua casa. Passados 6 meses, ele já tinha 3 torradeiras e outros 2 frequencímetros. Nunca comeu uma torrada e ainda me falou que estava em dúvida sobre as marcas de pão mais indicadas e os modelos de tênis mais apropriados.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Enfim, respirando!


Alívio, despertar naturalmente e não sentir sonolência, eis que estou respirando afinal!
Passadas 3 semanas de dieta e atividade física, com perda de peso (ao menos na balança), associado a medicações descongestionantes, eis que as noites já não tem sido tenebrosas e meu dia passado sem a sonolência improdutiva, a certeza que estou obtendo alívio da Apnéia Obstrutiva do Sono.
Estudo a relação neuroendócrina do sono há mais de 15 anos (antes uma ressalva, por estudo não quero dizer que sou um ultra especialista, mas que leio com frequência artigos científicos em revistas de endocrinologia, com esse tema). Há alguns anos, exatamente 3 anos, após reduzir os esforços em manter meu peso mais baixo, passei a não relacionar os estudos sobre Apnéia do Sono e suas consequências, comigo e meu cotidiano. Há 3 semanas voltei a devorar o assunto.
Hoje a salada noturna, regada a vinho tinto seco, não mais que uma taça, e coca zero, não mais que um litro, tem surtido efeito. O próximo passo é me abdicar do refrigerante, que mesmo sendo zero me faz dormir tarde por esperar seu efeito gasoso na distensão do estômago passar e me propiciar noite de sono.
Aliviado, posso dizer que minhas noites agora tem sido regadas a Oxigênio, a plenos pulmões!!!

Interruptor cerebral separa aprender de lembrar

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A secretária que falava alemão


O maior divulgador do trabalho de um médico são os seus pacientes. Eles que divulgam a existência do médico com a eficiência da certeza, enquanto as indicações de outros profissionais nem sempre causam o impacto necessário para que a consulta seja marcada.
E o imaginário popular é algo fantástico, conseguem enxergar qualidades e dons mágicos nos médicos que gostam e já fui vítima disso quando uma paciente entrou na sala de atendimento do ambulatório e me viu de cabeça baixa e olhos fechados _ a notícia que eu recebia inspiração do além antes de atender os pacientes se espalhou e ainda colho frutos do meu sono invencível após uma noite ao lado do paciente.
Outro fruto do imaginário popular foi de uma paciente de consultório. Ela morava na Áustria e se casou com um português e esteve comigo levando sua mãe. Enquanto atendia, o esposo ficou do lado de fora, ocupado consigo mesmo. A paciente, ao sair da sala, viu o genro pegando informações com a secretária, já era tarde e ele queria saber onde comer um churrasquinho que só no Brasil temos. Foi o suficiente para no dia seguinte todo o bairro onde ela morava, e coincidentemente onde um dileto amigo partilha vizinhança, que o médico era tão preparado que até a secretária dele falava alemão!
E assim também vivemos de lendas...

DIETA E EXERCÍCIO FÍSICO ELIMINAM RISCO DE SÍNDROME METABÓLICA EM CRIANÇAS

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A dorminhoca que quase atrasou meus planos


Sou da época em que o médico especialista tinha que fazer duas residências, uma em Medicina Interna, outra na especialidade, mas essa época não é distante apesar de termos noção que qualquer evento afastado a mais de 10 anos do curso atual do tempo seja algo distante ou remoto. Pois nessa época para uns remota, na década de 90, era plantonista em um Posto de Saúde com serviço de urgência e emergência, num programa dos governos federal e do Estado do Rio de Janeiro, chamado PESB, Programa Especial de Saúde da Baixada. Bom salário, volume intenso de trabalho.
Final de plantão no Posto Jardim do Éden, em São João do Meriti, que de Éden só tinha o nome tão distante estava do Paraíso bíblico. Preparava minha saída quando chega ao consultório para atendimento uma moça dos seus vinte e poucos anos. "Pois não?!", consegui manter a energia para iniciar o atendimento e ela foi logo dizendo, "doutor, tomei 30 comprimidos de Diazepan 10mg"! "Meu Deus", pensei eu, já antevendo o atraso na minha chegada em casa, o terrível engarrafamento que enfrentaria, "quando foi isso"? "Foi anteontem, doutor", reposta quase sonolenta. "Mas por que só veio hoje"? "Porque só agora que acordei"! 
Não conter o riso foi difícil, não apenas pelo inusitado do fato mas também porque minha saída no horário previsto estava garantida!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Nem sempre é agradável seguir as recomendações que prescrevemos


Inevitável, não estou imune às complicações de saúde e eis que, ante a necessidade de resolver um problema que me aflige, resolvi ser paciente de mim mesmo. Exatos vinte dias de dieta. Em alguns momentos rompi com a prescrição, mas fui fiel na maioria dos dias que compuseram essas três semanas. Tive resultados, mas ainda é cedo para o resultado final, a resolução do problema.
Confortavelmente pela manhã, após desjejum relativamente farto, um copo de coalhada com duas colheres de granola, escrevo o texto que em nenhuma das noites anteriores consegui escrever, porque simplesmente observava minha sensação de estômago quase vazio, sinalizando fome, ou desejo de comer algo diferente além da salada noturna, acompanhada de uma taça de vinho tinto seco e quantidade mínima de uma proteína (queijo ou pequeno bife grelhado). 
Penso em meus pacientes, não no sofrimento deles, mas no resultado que já percebo em mim.
Nem sempre é agradável seguir as recomendações, mas ciência é a capacidade de reproduzir resultados e tudo o que desejo é a reprodução do resultado mais esperado _ a saúde!

Tratamento inovador com células-tronco pode aumentar a capacidade auto-reparadora do organismo

sábado, 10 de janeiro de 2009

O menino que sabia que iria morrer


Era um menino diferenciado, desde muito novo sabia das últimas novidades de tecnologia, o que estava em curso e o que viria em breve. Não era nenhum gênio, mas também não tinha nada de comum. Sua primeira consulta foi aos oito anos, diagnóstico, Dislipidemia, ou colesterol elevado.
A princípio, dieta equilibrada e exercícios, e assim foram os 2 anos iniciais, com resposta insatisfatória.
Sua penúltima consulta foi na véspera de seus 12 anos. Pegou meu Nextel e logo criticou o sistema operacional pouco intuitivo, em menos de 3 minutos encontrou alguns erros de atalhos que demandavam tempo maior que o esperado para acessar os aplicativos. Ficamos um tempo longo e ele saiu com a receita de um medicamento específico para colesterol, uma estatina.
Algo me dizia que sua vida seria muito breve, era muito sedento por conhecer as coisas, de se inteirar de tudo o que passava. Mas não se interessava por meteorologia, minha favorita!
Sua última visita foi um presságio. Estava com 13 anos e me disse que sofrera um desconforto no peito e o cardiologista pedira um cateterismo,iria fazer em breve.
Não fui ao seu enterro. Hipoplasia de coronárias, não suportou nem o cat. Encerro o dia com a convicção de quem é obcecado por informações e pouco se importa com meteorologia, de alguma forma sabe que logo vai morrer. Por isso, sem perder tempo, já conectei-me à climatempo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Na sexta-feira, todas as horas viram expectativa!





Não sei se existe dia melhor na semana que o sábado. Isso porque é o dia que posso acordar sem compromisso e aproveitar toda a manhã para fazer o que quero e o que gosto de fazer em todas as manhãs e infelizmente não posso _ ficar diante da expectativa de escolher o que fazer para aproveitar o ócio.
Bertrand Russel foi o genial filósofo inglês que defendia o ócio criativo. Nossa sociedade já tem tecnologia o suficiente, e riqueza o bastante, dizia ele em um dos artigos de seu Elogio Ao Ócio (Ed. Sextante), para que todos possamos trabalhar apenas 4h por dia e dedicar outras 4h ao cultivo da arte, da música, ao culto da Beleza (no conceito de Platão e não o das revistas de moda).
Sexta-feira, antevejo a agenda. Para a tarde serão 18 pacientes que os atenderei com o mesmo padrão de sempre. Me aguarde sábado, estou louco por sua chegada!

Reposição Hormonal pode impedir risco de câncer coloretal

Apnéia Obstrutiva do Sono, minha cruel companheira _Sua Real Manifestação


Natal de 2008, o data certa foi a noite de 20 para 21 de dezembro porque a festa de nossa família é antecipada. No dia seguinte teria que despertar cedo para deixar Felipe, meu filho, no aeroporto para viagem de férias, 30 dias com a mãe no Rio de Janeiro.
Acordar cedo depois de uma festa exige algumas resoluções, como não exagerar na bebida e essa regra segui a risca porque não passei de meia dose de uísque. A regra não falava nada de comidas e exagerei nos pratos salgados e doces, mesmo mal me cabendo na camisa social que há duas semanas estava relativamente folgada. Momentos antes da festa, ao vestir a camisa, percebi o quanto tinha engordado, mas e daí? não era hora para pensar em regime, isso é resolução para ser tomada no ano novo, foi a atitude que tomei ao dar de ombros à realidade.
De volta para casa, já passava das duas da manhã e estava por demais sonolento, não apenas pelo horário, mas porque há mais de um ano despertava com muito sono, como se a noite dormida tivesse algumas horas roubadas indevidamente. Fui dormir quase cambaleando.
Não sei se houve noite, se houve sono, sei que acordei em taquicardia que prolongou por mais de cinco minutos e a terrível sensação que não consegui respirar instantes antes de despertar assustado. Escrevo agora tomado ainda pelo susto e não contenho lágrimas. 
O dia 21 de dezembro passou e não vi, porque fiquei sonolento e o sono me fez dormir até a manhã do dia 22, mas naquele dia modorrento tomei a resolução de minha vida, quero viver!!!
Claritin D todas as noites, emagrecer 20kg em 1 ano, mas 10kg em 3 meses, me abster de tomar a segunda dose ou o segundo cálice ou taça de qualquer bebida alcóolica _ essas as resoluções daquele dia.
Dia 22 de dezembro, véspera de meu aniversário, jejum, laboratório, sangue, análises. E lá vou eu me fazendo de paciente para eu mesmo cuidar. Quero mais que obesidade como causa, quero co-morbidades, quero respostas, não quero me sufocar com as perguntas, nem com minha própria respiração obstruída pela gordura de meu pescoço!

Apnéia Obstrutiva do Sono, minha cruel companheira _ O Diagnóstico

Espremia na poltrona apertada da Air Canada com saudades do conforto da classe executiva, experimentada em recente viagem a trabalho (pesquisador clínico, eis minha outra ocupação médica). A data é 31 de maio de 2007. Ponderei se não deveria ter seguido minha idéia de momentos antes e tomado alguns goles de uísque até alcançar o estado de semi-embriaguez suficiente para dormir. 
Um companheiro de viagem se acomodou na poltrona vizinha. Pernambucano, advogado, extremamente simpático. Algumas poucas horas e nossa conversa foi interrompida pelo sono que envolveu a ambos. Segurava nas mãos o que chamo de Meu Presente, funciona para matar saudades e cuidadosamente guardei para poder dormir.
Nada me lembrava da noite dormida na poltrona apertada, mas recebi um sério conselho de meu vizinho, "Jorge, cuide de sua saúde, você respira mal", me deu dois outros conselhos, um deles comprar um barco, coisa que não fiz, e o terceiro eu fiz mas não digo.
Resolvi levar apenas metade a sério o conselho do cuidado com a saúde. Como ia ao Congresso da The Endocrine Society, assisti a todas as palestras cujo tema era Apnéia Obstrutiva do Sono.
Fiz meu diagnóstico baseado nas informações de Yan, o pernambucano camarada. Diagnóstico feito e nenhuma providência de imediato tomada, apenas promessas, afinal, sou como todos nós _ só quando o nó aperta é que corremos atrás!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Nem sempre as contas aparecem apenas no final do mês


Vida de consultório médico é assim, chegar pela manhã na empolgação necessária para mais um dia, esperando vislumbrar a possibilidade de diagnosticar uma doença rara, ou beneficiar alguém afligido por uma doença que pode ser tratada por suas mãos. Mas também é chegar no final do dia podendo ao menos colocar algum dinheiro na carteira. 
Hoje pela manhã fui acordado pelo meu colega James; não eram seis da manhã e ele aflito me liga supondo que eu estivesse acordado e como ele, continuando as horas de uma noite insone. "Preciso de um emprego, necessito de um salário certo, com dia fixo, que ao menos cubra a minha despesa com cartão de crédito!", me disse quase chorando, provocando em mim as lágrimas de raiva de ter sido despertado na minha única semana de férias!
Lembrei que algumas contas pendem quase soltas, buscando se desprenderem da pressão magnética de um ímã de geladeira. Não estamos nem na metade do mês, as contas aparecem e torturam agora não apenas a cabeça do James, mas também a minha.

Estudo sugere que homens obesos, ou com sobrepeso, podem estar sob maior risco de desenvolverem Insuficiência Cardíaca

Dia de Cão _ a nem sempre fácil vida de um médico de consultório privado

Já passam das 21 horas, a fome toma conta de meus pensamentos, lutando bravamente contra a necessidade de atender o último paciente. Respiro fundo, enquanto termino o último gole de minha água gasosa muito gelada e dispenso a secretária, cabendo a mim a incumbência de fechar a clínica. O celular tocou três vezes e não atendi, o número era familiar e o convite para mim era impossível _ um jantar para trocar conversas; o paciente se movimenta aflito, sinto seus passos e por ele a refeição com os amigos é mais uma vez adiada, ainda que a fome me torture. O paciente enfim vai entrar, preparo-me para enfrentar mais uma consulta, mais quase uma hora de ofício, só penso no jantar, no banho relaxante, o telefone toca, outro paciente não está bem, tudo adiado, antes de ir para casa, passarei no hospital.

Dieta de Atkins se destaca em estudo comparativo para controle do diabetes

 
Yoomp