sábado, 10 de janeiro de 2009

O menino que sabia que iria morrer


Era um menino diferenciado, desde muito novo sabia das últimas novidades de tecnologia, o que estava em curso e o que viria em breve. Não era nenhum gênio, mas também não tinha nada de comum. Sua primeira consulta foi aos oito anos, diagnóstico, Dislipidemia, ou colesterol elevado.
A princípio, dieta equilibrada e exercícios, e assim foram os 2 anos iniciais, com resposta insatisfatória.
Sua penúltima consulta foi na véspera de seus 12 anos. Pegou meu Nextel e logo criticou o sistema operacional pouco intuitivo, em menos de 3 minutos encontrou alguns erros de atalhos que demandavam tempo maior que o esperado para acessar os aplicativos. Ficamos um tempo longo e ele saiu com a receita de um medicamento específico para colesterol, uma estatina.
Algo me dizia que sua vida seria muito breve, era muito sedento por conhecer as coisas, de se inteirar de tudo o que passava. Mas não se interessava por meteorologia, minha favorita!
Sua última visita foi um presságio. Estava com 13 anos e me disse que sofrera um desconforto no peito e o cardiologista pedira um cateterismo,iria fazer em breve.
Não fui ao seu enterro. Hipoplasia de coronárias, não suportou nem o cat. Encerro o dia com a convicção de quem é obcecado por informações e pouco se importa com meteorologia, de alguma forma sabe que logo vai morrer. Por isso, sem perder tempo, já conectei-me à climatempo!

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