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Marluce tem mais de 40 anos e se preocupa com apenas uma coisa em sua vida, não envelhecer. Por conta dessa obsessão, investe todo o seu tempo livre em ler sobre anti-aging, e garanto que é muitas vezes mais tempo livre que se possa imaginar para uma médica.
Por algum motivo a adepta dessa novíssima tentativa de especialidade médica me encontrou. Saiu de sua cidade, a metrópole do Brasil Central, sim, ela mora em Brasília, e foi ter comigo inicialmente em meu consultório, depois prolongamos o papo na mesa sempre recheada de quitandas da casa de minha mãe. Seu interesse _ os pontos de interação entre Medicina e Espiritualidade e a sua Medicina Anti-Aging.
Fez várias ilações, trouxe conhecimentos na área me Medicina e Espiritualidade que me surpreenderam, como novas pesquisas recentemente publicadas. Comeu pouquíssimo, uma desfeita às quitandas tão bem preparadas, mas conforme o seu pensamento, deve comer menos para viver mais.
Ao final do estoque de entusiasmo, quando a sede de saber a minha opinião se fez intensa, perguntei a ela o que a afligia, o porquê do medo da morte, do medo de envelhecer, já que é uma realidade e que o corpo envelhece, antes disso pode adoecer, o fado, o destino que criamos, pode nos atropelar e tirar-nos a qualquer momento do mundo. Ilustrei minha pergunta com pequeno comentário sobre a realidade do Espírito, realidade que a Ciência não se aparelha o suficiente para comprovar, mas também não consegue desmentir, sobre a vida saudável do Espírito mesmo em corpos doentes, como a mulher reumática descrita por Koening no JAMA (Journal of American Medical Association) em editorial de Agosto 2002.
Não descobri as razões de Marluce. Ela se levantou antes que pudesse me responder, preocupadíssima com horário de retorno a Brasília, desculpa apenas fraca quando o que mais chamava a atenção naquele instante era que entrava em casa um morador do leprosário, mãos com dedos em garra e outros amputados pela doença. Era o retrato da morte, e tudo o que Marluce temia era morrer.



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