sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Adeus, poeta!

Não soube me dizer o motivo da consulta, naquele dia o poeta entrou em meu consultório e despejou suas afliçöes e amarguras. Casado de pouco, descobrira que o amor eterno sofre amarguras e revezes, eram momentos de revezes aqueles. Sua conversa elíptica era coberta de interrupções, perdera a continuidade que caracterizava a verborragia fantástica, destruidora, iconoclasta, sua marca de identidade, mas que sempre se encerrava com juras de devoção eterna. Naquela tarde era uma flor que murchara.
Atraiu para si todos os revezes do pensamento confuso. Se dizia catlisador do inconsciente e agora vivia os tormentos do Inconsciente materializado na forma do arquétipo feminino, sedutor, mulher, mãe e filha.
O poeta se foi. Infarto fulminante. Não teve como me levar os exames, tenho certeza que nem os pedi. Sua visita, a última visita, foi sua despedida. Ficou de me deixar a caneta que nunca teve e a pena que jamais usou e ainda espero que de onde esteja o poeta, que seja cumprida a sua promessa.

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