Estou diante dele, ouvindo suas lamentações. Não fala de doença, mas da esposa que o abandonou.
É minucioso em detalhes, poupa-me dos íntimos, faço questão de não ouvir. Mas conversa como justificando sua dor, evoca toda a linhagem dela, todos os parentes, que se mostram indignados com a perda.
Não tem doença, mas uma construção de vida infeliz. Interrompo a consulta entregando o cartão de um colega, psicanalista. Pergunta-me o motivo, "engenheiro de almas, talvez conserte a sua."
Acho que perdi um paciente!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
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Seus relatos sao muito interessantes, acho que todos nós temos um pouco do paciente citado, mais o que fazer em se vivemos um tempo de tantas incertezas(gripes ,crise mundial), coraçoes partidos? só nos resta procurar um ombro para desabafar nossas mazelas...rsss.bjus
ResponderExcluirO problema não é se você perdeu o paciente, mas se ele se tornou um errante, desgarrado, a partir da sua metáfora.
ResponderExcluirTomara que o cartão tenha sido bem utilizado.