
V. tem 40 anos,consulta-se comigo há mais de 10 anos. Problema simples, Hipotireoidismo. Eis então que por um motivo qualquer visita uma clínica geral que solicita uma Ultrassonografia e valoriza um nódulo de 0,7cm. O cirurgião de cabeça e pescoço foi eleito para avaliar e não deu outra, a biópsia foi sugestiva de Câncer.
A opção cirúrgica foi pela retirada total da tireóide, tireoidectomia total, há exatos 10 dias. No mesmo dia da cirurgia, seu esposo foi demitido, seu plano de saúde expirará em menos de 15 dias.
O pós-operatório após a alta ficou para minha resolução e aí o motivo dessa postagem. Vamos lá!
O Carcinoma Diferenciado da Tireóide, ou Câncer da Tireóide, é patologia crescente em incidência, ou seja, o número de novos portadores tem aumentado, e por vários fatores. O meio para o diagnóstico se inicia com a punção da tireóide guiada por Ultrassonografia, que traz resultado sugestivo ou não da doença, que se confirma com a análise da peça cirúrgica.
Com a facilidade de ultrassonografia e também da punção, muito se acumulou em conhecimento sobre o câncer da tireóide, a começar da relação entre gravidade do câncer e tamanho do nódulo.
Análises de cadáveres que morreram por patologias outras do câncer da tireóide, mostram que o diagnóstico da doença em nódulos menores que 1cm é omitido em parcela considerável da população, o que mostra o aspecto pouco agressivo desse tipo de câncer, ou o que se convencionou chamar de microcarcinoma.
Omitir a punção em nódulos menores que 1cm é conduta aceita. Quando se realiza a punção em nódulos menores que 1cm e o diagnóstico é de Carcinoma, a conduta é a retirada do lobo da tireoide onde o câncer se localiza. Isso garante cura em 100% dos casos.
V. me trouxe uma sensação de ter sido traído, não por ela, mas pela sua tireóide. Isso porque tenho a conduta de não puncionar de rotina nódulos menores que 1cm, exceto se tiverem elementos de suspeição. E também me trouxe a sensação de estar sendo ironizado pelo colega, que operou e agora mandou um "presente", tipo, cuida do que deixou de ver antes.
Mas a consulta prosseguiu e soube que não foi enviada por ninguém senão por sua própria vontade.
Não consigo repor a metade exageradamente retirada da tireóide dela, a não ser aumentando a dose da medicação e oferecendo cuidados médicos de qualidade humana e científica. Isso é o que o endocrinologista sabe fazer.



Pois é Jorge, que trapalhada! Sabemos que, em casos de microcarcinoma a lobectomia ou lobectomia com istmectomia teria sido suficiente.
ResponderExcluirSão muito raros os casos de microcarcinomas que metastatizam e, mesmo assim, sabemos, a cura é alcançada com o tratamento com Iodo radioativo que, nestes casos, se faz necessário.
Estes cirurgiões, tsc, tsc...
Boa noite!
ResponderExcluirMeu irmão tem 26 anos forte,bonito e "saudável".Até descobrirmos há 3 meses que ele tem carcinoma insular na tireóide. Ontem foi feita a cirúrgia o que era nossa esperança,já que a indicação de que a doença,que é rara e agressiva,não responde a quimio ou radio. O médico nos disse hoje que abriu e fechou e que nada pode ser feito, porque o cancer comprometeu artérias,traquéia e a aorta. Estou em busca de opiniões sobre esse caso, pois sabendo da sua raridade, há poucos registros médicos sobre a doença.