
Ela chegou com as mãos pesadas de exames de sangue e de imagem. tinha um diagnóstico e queria uma opinião. Fora encaminhada para a minha opinião, na verdade para a opinião do especialista, casualmente eu e os residentes da especialidade. HGG, salas da Endocrinologia.
Contou sua história para a atenção dos ouvidos de uma residente, enquanto outra analisava os exames. Eu não conseguia ouvir nada, abstraído que estava por algo que me chamara a atenção _ os dentes de Ana, esse o provável nome, eram enormes e fugiam de sua boca, de forma que os lábios superiores não os cobriam além do terço inicial, deixando-os cobertos por uma crosta de saliva ressecada. Eram amarelados, enormes, estranhos.
A consulta demorada envolveu também os colegas da Neurocirurgia e ao final pediram minha opinião. A paciente, um tanto apreensiva, percebera que eu não tirara dela a atenção.
_Qual sua conduta, doutor?
_Os dentes, respondi. Como são grandes!
_Como? A pergunta foi em coro, que envolveu também a paciente.
_ Resolver o tumor é fácil, remédio e cirurgia terão efeito, difícil vai ser encontrar um dentista que consiga corrigir esses dentes tão grandes e lábios que não se fecham!



Uia. Sinceridade chocante!
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