Observo o meu filho adolescente. Sentado diante do computador, durante horas, comunica-se gestual e emocionalmente com uma tela de LED e uma sequência de imagens quentes, quase reais não fossem formadas por combinações binárias frias e manipuladas livremente por quem avança apenas um pouco na manipulação de programas específicos. Várias telas pululam, janelas chama a atenção para nova mensagem, novo recado, novos convites.
Percebo a fragilidade das fronteiras físicas do lar. A intimidade compartilhada nas redes sociais e nos mensageiros eletrônicos da internet tornam as casas-computadores dos amigos a extensão do próprio lar.
Além do computador, encontros e convívios com amigos antes virtuais.
Os muros do meu adolescente vão além das paredes de casa, uma calça é esquecida no guarda-roupas de um amigo, uma camisa estranha repousa no dele e seus sentimentos e emoções são partilhados não apenas nos limites de minha casa, mas também com sua rede de amigos.
Mas o que é uma rede de amigos e como esses relacionamentos se dão? Outro dia ouvia uma psicóloga gabaritada falar do quão adolescente são as redes sociais mas terminou a entrevista anunciando a página dela no Orkut.
E relacionamentos surgem das redes sociais, a ponto de se solidificarem em uniões mais sérias, geram visitas aventureiras ou sinceramente românticas. Mas os olhares que as fotos mostram e as webcam mal refletem nem sempre se direcionam para explorar a profundidade do outro, como os toques virtuais mal passam das sensações instintivas, deixando a sensação do vazio, da perda, da não completude.
A adolescência se caracteriza pela busca de diferenciação dos pais e pelo engajamento com os que a ele se assemelham. Adolescência não é sinônimo de revolta, mas uma fase criativa do desenvolvimento humano, uma espécie de iniciação na autonomia que deve caracterizar o ser. E nunca foi tão partilhada como agora, nunca tão exposta.
Os adultos que já usufruíram da explosão digital não carregam a experiência que nossos jovens de hoje já levarão ao futuro de cada um. Serão essas famílias o paradigma proposto, onde a porta da frente se expandiu a ponto de se dissolver para uma comunidade integrada e interativa?
Um modelo interessante é dos jovens que se tornaram pais e mães na adolescência, porque continuam integrados na mesma rede dos seus pares de mesma idade mas que não passaram pela experiência de um filho. A verdade é que os filhos acabam por terem os avós como pais substitutos, porém o estilo de vida dos pais impõe o modelo que a criança seguirá.
Outro fato real dessa atualidade virtual é o embotamento das consciências ante a violência, onde a morte por eliminação se torna banal em questões mínimas e nunca vitais, um jogo virtual pode determinar a morte de uma criança real, como a filha do casal Kim, morta por inanição, na Coréia, enquanto seus pais jogavam por mais de 12 horas um desafio de manter uma criança virtual viva.
Outro desafio é que o uso e abuso de drogas entre jovens está consumindo a parcela da população que víamos como reserva de futuro _ para nossa triste realidade, a idade média de início no crack é 13 anos e essa droga se verticalizou em todas as classes sociais. E o que se sabe é que o distanciamento da realidade, induzido pelo consumo excessivo de internet, facilita a dependência, o arrastamento para as drogas excitantes.
O paradigma ainda continua sendo as bases estruturadoras da família, o possível avanço desse paradigma, das famílias cujas portas da frente se expandiram, talvez esteja ensaiando seus passos mas isso talvez não será para minha geração experimentar.



Caro blogueiro,
ResponderExcluirO Ministério da Saúde criou uma campanha nacional contra o consumo do crack e pretende atingir todos segmentos da sociedade. Segundo uma pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), 0,1% da população brasileira consome a droga. Contamos com sua ajuda para divulgar a campanha “Nunca Experimente o Crack” com o material que preparamos: http://bit.ly/auqLBl . Caso queira, também temos uma série de vídeos sobre o assunto: http://bit.ly/avBYqz .
Você pode encontrar mais informações sobre a composição, trajetória e tratamento da droga em nosso hotsite: http://www.nuncaexperimenteocrack.com.br/
Quaisquer dúvidas, escreva para comunicacao@saude.gov.br.
Atenciosamente,
Ministério da Saúde