segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Doença como Linguagem

Ela chegou com um enorme envelope da Clínica Radiológica nas mãos, carregando como se fosse um longo e minucioso inquérito; apesar do peso da embalagem, tinha braços que aparentavam fraqueza, os músculos destacavam-se como se esforço enorme estivesse consumindo suas energias.
“O que eu tenho, doutor? Trago aqui exames, meu corpo foi revirado de dentro para fora e os médicos ainda não me disseram o que tenho. Confesso que o último profissional que procuro é o senhor, se não me der solução, nem sei o que vou fazer, mas médico não procuro!”
Médicos são remédios dos mais caros que existem. Solicitam sofisticados exames, a custos crescentes para o sistema de saúde, indicam cirurgias e prescrevem remédios e soluções que também geram custos. Nos casos onde a doença é trazida pelo paciente, a eficácia do remédio chamado médico beira a totalidade, nos casos onde a doença é o paciente, os efeitos colaterais são evidentes e por vezes danosos.
Não houve modificação da sintomatologia das doenças orgânicas conhecidas ao logo dos anos. Com a exceção de raras síndromes inflamatórias, como as doenças do colágeno, distúrbios hormonais raros, como feocromocitoma, a eficácia dos protocolos diagnósticos que o médico dispõe permite com segurança a identificação dos males do corpo e a elaboração de tratamentos.
Mesmo com toda a eficácia dos recursos e avanços da Medicina, é crescente a insatisfação dos pacientes com o remédio chamado médico. Pesquisa do Instituto Gallup, nos Estados Unidos em 2002, mostrou que até 60% dos pacientes não se sentem confortados pelos seus médicos e gostariam que o tratamento alcançasse limites além da doença que trazem.
Quando a doença é a linguagem que o paciente traz para falar de si, ou de algo que o incomoda, o médico sofre as limitações de um remédio que não é panacéia, a cura de todos os males. Isso porque o mal existente ou aparente assume características e comportamentos que vão além dos limites que a limitação do conhecimento médico pode alcançar.
As doenças seguem leis irracionais, incompreensíveis para os médicos. Por não ser totalmente conhecido o mecanismo das leis que regem as doenças, os tratamentos são focados nos pontos principais e conhecidos de cada moléstia. Isso permite que o tratamento seja baseado no conhecimento alcançado pela Ciência e seja aplicado a todos os portadores daquela doença
A doença torna-se linguagem quando é a forma que o paciente encontra para falar de si, por não conseguir ouvir o que sua mente quer dizer. Doença-fantasma não é uma entidade médica, mas uma realidade presente em número considerável. Não diz respeito a algo imaginário, porque o doente sofre, mas é uma forma dolorosa da mente se manifestar e interferir no organismo, chamando atenção para si. É responsável, também, por numerosos sintomas desconhecidos de doenças conhecidas.
Estamos então no campo da chamada psico-somática, que diz mais que o jargão reducionista que reza “tudo é psicológico”. Aqui é a interação danosa da mente que usa o corpo para falar à consciência que algo vai errado.
Diante de tantos exames, de imagem e de laboratório, restou a pergunta, “se todos os exames estão normais, se seu corpo está perfeito, o que você realmente acha que te faz sofrer?”
A tomada de consciência de que fatores inconscientes incomodam leva à mudança de postura, ao alívio, ao caminho para a saúde. A inscrição gravada em ouro no pórtico do templo de Delphos ecoa viva em nossas almas: Homem, conhece-te a ti mesmo.

Um comentário:

  1. Ola Jorge,
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Yoomp