sábado, 17 de janeiro de 2009

Atendendo um perfeccionista


Exames alterados e necessidade de consulta, o paciente era perfeccionista e, como todo perfeccionista, inseguro. A recomendação era mudança do padrão alimentar, aumentar fibras, reduzir açúcar e gorduras, priorizar carbohidratos complexos. Também exercício físico supervisionado, monitorado com frequencímetro, para que a intensidade do exercício mantivesse a frequência cardíaca dentro de limites seguros. Aí chegou a questão, "devo comer pão integral torrado"? "Se preferir levar o pão à torradeira, sim".
Passados 45 minutos e ele estava de volta ao consultório, insistindo para falar comigo. A secretária o fez entrar de imediato o paciente jogou sobre minha mesa algumas caixas, com vários modelos de torradeira. "Qual eu compro"? Me tomou pelo menos 20 minutos convencê-lo que a escolha do modelo não era meu papel, que deveria ser conveniente a ele (até agora não sei como ele conseguiu sair da loja com tantas torradeiras na mão).
Outros quase 45 minutos e ele de volta! Por mais que a secretária tivesse insistido que eu estava por demais ocupado, ele insistiu tanto que conseguiu mais uma vez entrar no consultório. Me saudou mais uma vez, tirou da caixa a torradeira e procurou uma tomada para liga-la e me perguntou "Agora, como é que eu uso"? Foi o suficiente para eu dizer que ele havia entendido errado, que deveria comer pão integral sim, mas não torrado e, me lembrando da recomendação do frequencímetro, logo dei o cartão de um amigo, educador físico e disse, "orientação sobre o frequencímetro, ele te dará melhor que eu".
Ontem estive em sua casa. Passados 6 meses, ele já tinha 3 torradeiras e outros 2 frequencímetros. Nunca comeu uma torrada e ainda me falou que estava em dúvida sobre as marcas de pão mais indicadas e os modelos de tênis mais apropriados.

Um comentário:

 
Yoomp